21.11.2008

O discurso histórico de Barack Obama

Publicado 29.08.2008
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- Ao presidente Dean e ao meu grande amigo Dick Durbin, e a todos os meus concidadãos deste grande país, com profunda gratidão e grande humildade, aceito sua indicação para disputar a presidência dos Estados Unidos.

- Permitam-me exprimir meus agradecimentos ao conjunto histórico de pré-candidatos que me acompanharam nessa jornada e especialmente àquela que percorreu a maior distância, uma defensora dos trabalhadores norte-americanos e uma inspiração para as minhas filhas e para as suas filhas, Hillary Clinton.

- Ao presidente Clinton, ao presidente Bill Clinton, que na noite de ontem defendeu a necessidade de mudança da maneira que só ele é capaz. A Ted Kennedy, que personifica o espírito do serviço público. E ao próximo vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden: muito obrigado.

- Estou grato por concluir esta jornada com um dos melhores estadistas de nossa era, um homem que se sente bem na companhia de todos, de líderes mundiais aos condutores do trem Amtrak que ele ainda toma para voltar para casa a cada noite.

- Ao amor da minha vida, Michelle Obama. E a Malia e Sasha, a quem amo muito e de quem muito me orgulho.

- Quatro anos atrás, eu lhes contei minha história, sobre a breve união entre um jovem do Quênia e uma jovem do Kansas, que não eram bem conhecidos nem estavam bem de vida mas compartilhavam a crença em que, nos Estados Unidos, seu filho seria capaz de realizar tudo aquilo que desejasse.

- É essa promessa que sempre distinguiu o nosso país, a de que pelo trabalho árduo e pelo sacrifício, cada um de nós possa seguir seus sonhos pessoais e ainda assim se manter unido à grande família norte-americana, para garantir que a geração seguinte seja capaz de igualmente seguir os seus sonhos. É por isso que estou aqui, hoje. Porque, por 232 anos, sempre que essa promessa esteve sob ameaça, homens e mulheres comuns - estudantes e soldados, agricultores e professores, enfermeiros e zeladores - encontraram a coragem necessária a mantê-la viva.

- Nós estamos reunidos em um desses momentos de definição, um momento em que o nosso país está em guerra, nossa economia passa por tumultos e a promessa norte-americana mais uma vez está ameaçada.

- Hoje, mais norte-americanos estão desempregados, e ainda mais deles vêm trabalhando muito por salários cada vez menores. Mais de vocês perderam suas casas e ainda mais estão assistindo ao valor de suas casas despencar sem controle. Mais de vocês têm carros que não podem usar pelo custo da gasolina, contas de cartão de crédito que não conseguem pagar, e mensalidades escolares que estão além de seu alcance.

- Esses desafios não foram todos criados pelo governo. Mas o fracasso em reagir é um resultado direto da situação política em Washington e das políticas fracassadas de George W. Bush.

- América, nós somos melhores do que os oito anos passados demonstram. Somos um país melhor que isso.

- Este país é mais decente do que aquele no qual uma mulher do Ohio, à beira da aposentadoria, se vê a uma doença de distância do desastre econômico, depois de uma vida de trabalho árduo.

- Somos um país melhor do que aquele no qual um homem de Indiana tem de embalar o equipamento com o qual trabalhou por 20 anos e assisti-lo sendo despachado à China, e depois explicar com a voz embargada sua sensação de fracasso ao voltar para casa e informar à sua família sobre a notícia.

- Somos mais compassivos do que um governo que permite que veteranos de guerra durmam nas ruas e famílias caíam à pobreza, que se mantém imóvel enquanto uma grande cidade norte-americana se afoga diante de seus olhos. Hoje, nesta noite, quero dizer ao povo dos Estados Unidos, aos democratas, republicanos e independentes de toda nossa vasta nação: já chega.

- Este momento, esta eleição, é nossa chance de manter a promessa dos Estados Unidos viva no século XIX.

- Porque na semana que vem, em Minnesota, o mesmo partido que lhes deu dois mandatos de George Bush e Dick Cheney pedirá por um terceiro. E aqui estamos - estamos aqui porque amamos este país demais para permitir que os próximos quatro anos se pareçam com os oito passados.

- Em 4 de novembro, devemos nos erguer e dizer que "oito bastam". Agora, permitam-me - que não haja dúvidas. O indicado republicano, John McCain, vestiu o uniforme de nosso país com bravura e distinção, e por isso lhe devemos gratidão e respeito.

- E na semana que vem, também ouviremos falar sobre aquelas ocasiões em que ele se afastou de seu partido, como prova de que poderá nos propiciar a mudança de que precisamos.

- Mas o histórico é claro: o senador John McCain votou com George Bush 90% do tempo.

- O senador McCain gosta de falar de capacidade de julgamento, mas o que podemos presumir sobre o julgamento de uma pessoa que acredita que George Bush estivesse certo 90% do tempo?

- Não sei o que vocês acham, mas não estou preparado para aceitar uma chance de mudança de apenas 10%.

- A verdade é que, em questão após questão que poderiam fazer diferença em nossas vidas - saúde, educação e a economia -, o senador McCain não se provou nada independente.

- Ele disse que nossa economia fez grandes avanços sob o atual presidente. Disse que os fundamentos da economia são fortes. E quando um de seus principais assessores, o homem que escreveu seu plano econômico, estava falando sobre as ansiedades que os norte-americanos sentem, ele disse que o povo está apenas sofrendo de uma recessão mental e que nos tornamos, e cito, "uma nação de resmungões".

- Uma nação de resmungões? Que ele o diga aos orgulhoso operários de uma fábrica de autopeças do Michigan, quando eles descobriram que ela seria fechada mas continuaram aparecendo a cada dia e trabalhando com o afinco de sempre, porque sabiam que havia pessoas que dependiam dos freios que produzem.

- Que ele o diga às famílias de militares que arcam com seu fardo silenciosamente, enquanto assistem à partida de seus seres amados para uma terceira, quarta ou quinta temporada de serviço em zonas de guerra.

- Não se trata de resmungões. São pessoas que trabalham muito, que retribuem os favores que recebem e que seguem fazendo o que fazem sem se queixar. São estes os norte-americanos que eu conheço.

- O ponto é não que eu acredite que o senador McCain não se importa com o que está acontecendo nas vidas dos cidadãos do país; acredito que ele não saiba.

- Por que mais ele definiria "classe média" como as pessoas com renda inferior a US$ 5 milhões ao ano? De que outra maneira pela poderia propor centenas de bilhões de dólares em incentivos fiscais a grandes empresas e companhias petroleiras, mas nem um centavo de corte de imposto para mais de 100 milhões de norte-americanos?.

- De que outra maneira ele poderia oferecer um plano de saúde que na prática tributaria os benefícios que as pessoas recebem, ou um plano de educação que nada faria por ajudar as famílias a pagar pelos custos do ensino universitário, ou um plano que privatizaria o Seguro Social e colocaria em risco as aposentadorias de todos vocês.

- Não é que John McCain não se importa; na verdade, ele não entende. Por mais de duas décadas ele defendeu aquela velha e desacreditada filosofia republicana: dar mais àqueles que já têm muito e esperar que a prosperidade flua deles para o restante da nação.

- Em Washington, eles definem essa idéia como "a sociedade de proprietários", mas o que a idéia realmente significa que é vivemos a era do cada um por si. Perdeu o emprego? Azar seu, trate de se virar. Não tem plano de saúde? O mercado resolverá, problema seu. Nasceu na pobreza? Trate de sair dela sem ajuda, porque o governo não ajudará. Cada um por si.

- Bem, chegou a hora de eles admitirem seu fracasso. É hora de mudar a América. E é por isso que estou disputando a presidência dos Estados Unidos.

- Vocês sabem: nós, democratas, temos uma medida diferente quanto àquilo que constitui progresso para o nosso país.

- Medimos o progresso em termos do número de pessoas que conseguem encontrar empregos que lhes permitam manter em dia suas hipotecas e economizar um dinheirinho no final de cada mês para que um dia possam ver seus filhos recebendo um diploma universitário.

- Medimos o progresso com base nos 23 milhões de novos empregos criados quando Bill Clinton foi presidente, anos em que as famílias norte-americanas viram alta de US$ 7,5 mil ao ano em sua renda média, em lugar da queda de US$ 2 mil vista sob George Bush. Medimos a força de nossa economia não pelo número de bilionários do país ou pelos lucros das empresas no ranking Fortune 500, e sim determinando se uma pessoa que tem uma boa idéia pode arcar com o risco de abrir uma empresa, ou se a garçonete que vive de gorjetas pode tirar um dia de folga para cuidar de um filho doente sem perder o emprego: uma economia que honre a dignidade do trabalho.

- Os fundamentos que empregamos para medir a força da economia envolvem descobrir se estamos cumprindo a promessa fundamental que tornou este país grande, a promessa que representa a única razão para que eu esteja aqui na noite de noite.

- Porque, nos rostos dos jovens veteranos que retornam do Iraque e do Afeganistão, eu vejo meu avô, que se alistou depois de Pearl Harbor, marchou com o exército de Patton e foi recompensado por um país agradecido com a oportunidade de fazer uma faculdade, sob a GI Bill lei que estimulava a retomada dos estudos pelos ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial.

- No rosto daquela jovem estudante que dorme apenas três horas antes de começar a trabalhar em seu emprego noturno, vejo o de minha mãe, que criou minha irmã e eu sem ajuda, enquanto trabalhava e concluía seus estudos, e que precisou recorrer a assistência alimentar do governo em determinados momentos, mas ainda assim conseguiu nos matricular nas melhores escolas do país com a ajuda de programas de crédito educacional e bolsas de estudo. Quando ouço ainda mais um operário me contando sobre o fechamento de sua fábrica, lembro-me de todos os homens e mulheres do South Side de Chicago pelos quais batalhei duas décadas atrás quando a usina siderúrgica que os empregava fechou as portas.

- E quando ouço uma mulher falar sobre as dificuldades que encontra para abrir um negócio ou subir na vida, penso em minha avó, que avançou de uma posição como secretária a um cargo executivo médio, a despeito de ter sido preterida nas promoções durante anos só porque era mulher.

- Foi ela que me ensinou sobre trabalhar com afinco. Era ela que adiava a compra de um carro novo ou de um vestido para que a minha vida pudesse ser melhor. Ela colocou tudo que tinha em mim. E ainda que não possa mais viajar, eu sei que está assistindo, e sei que a noite de hoje também é a noite dela.

- Eu não sei que espécie de vida John McCain acredita que as celebridades levem, mas sei que esta foi a minha. Essas pessoas são os meus heróis; suas histórias são as histórias que deram forma à minha vida. E é em nome delas que pretendo vencer esta eleição e manter viva a promessa americana como presidente dos Estados Unidos.

- Mas o que exatamente vem a ser a promessa dos Estados Unidos? É uma promessa que dispõe que cada um de nós tem a liberdade de fazer o que desejar de sua vida, mas que também temos obrigações de tratar uns aos outros com dignidade e respeito.

- É uma promessa que diz que o mercado deve recompensar o esforço e a inovação que geram crescimento, mas que as empresas precisam cumprir sua responsabilidade de criar empregos aqui no país, cuidar dos trabalhadores norte-americanos e respeitar as regras do jogo.

- Nossa promessa afirma que o governo não é capaz de resolver todos os problemas da nação, mas que é necessário que faça por nós aquilo que nós mesmos não podemos: que nos proteja do mal e que ofereça a cada criança uma educação decente; que mantenha nossa água limpa e nossos brinquedos seguros; que invista em novas escolas e novas estradas, e na ciência e tecnologia.

- Nosso governo deveria trabalhar por nós, e não contra nós. Deveria nos ajudar, e não nos prejudicar. Deveria garantir oportunidades não só para aqueles com o máximo de dinheiro e influência, mas para todos os norte-americanos que estiverem dispostos a trabalhar.

- É essa a promessa da América, a idéia de que somos responsáveis por nós mesmos mas também a de que ascenderemos ou cairemos como nação una; a crença fundamental de que cabe a mim ajudar os meus irmãos e irmãs. É essa a promessa que precisamos cumprir. É dessa mudança que precisamos, e agora.

- Assim, permitam-me definir exatamente o que a palavra mudança significaria caso eu me eleja presidente. Mudança significaria um código tributário que não recompensaria os lobistas que o escreveram, mas os trabalhadores e pequenos empresários norte-americanos que o merecem.

- Ao contrário de John McCain, vocês sabem, eu deixaria de conceder isenções fiscais a empresas que despacham empregos para o exterior e começaria a oferecê-las a empresas que criem empregos aqui nos Estados Unidos.

- Eliminaria os impostos sobre os ganhos de capital das pequenas empresas e das companhias iniciantes que criarão os empregos de alto salário e de alta tecnologia do amanhã.

- Eu cortaria impostos - prestem atenção! - cortaria impostos para 95% das famílias trabalhadoras, porque, em uma economia como a atual, a última coisa que deveríamos fazer seria elevar os impostos da classe média.

- E, pelo bem de nossa economia, de nossa segurança e pelo futuro de nosso planeta, eu estabeleceria como presidente uma meta clara: dentro de 10 anos, por fim deixaremos de depender do petróleo do Oriente Médio.

- Nós o faremos. Washington vem falando sobre o nosso vício em petróleo há 30 anos. E, aliás, John McCain esteve lá por 26 destes anos.

- E, durante todo esse tempo, ele disse não a padrões mais severos de eficiência energética para os automóveis, não aos investimentos em energia renovável, não aos combustíveis renováveis. E hoje importamos três vezes mais petróleo do que fazíamos no dia em que o senador McCain tomou posse. Agora chegou a hora de pôr fim a esse vício e compreender que prospecção adicional é uma medida temporária e não uma solução de longo prazo para o problema - nem perto disso.

- Como presidente, explorarei nossas reservas de gás natural, investirei na tecnologia do carvão limpo e encontrarei maneiras de empregar em segurança a energia nuclear. Ajudarei nossa indústria automobilística a se reequipar, de modo que os carros de alta eficiência energética do futuro sejam construídos bem aqui nos Estados Unidos.

- Tornarei mais fácil ao povo norte-americano arcar com os preços desses novos carros. E investirei US$ 150 bilhões, ao longo da próxima década, em fontes de energia acessíveis e renováveis - eólica, solar e na próxima geração de biocombustíveis -, um investimento que gerará novas áreas de atividade econômica e cinco milhões de novos empregos que pagarão bem e não poderão ser terceirizados para fora do país.

- América, não vivemos um momento de pensar pequeno. Chegou a hora de por fim cumprir nossa obrigação moral de oferecer a cada criança uma educação de primeira classe, porque isso é o mínimo necessário a concorrer na economia mundial.

- Como vocês sabem, Michelle e eu só estamos aqui hoje porque tivemos uma chance de obter educação. E não aceitaremos um país no qual algumas crianças não desfrutam dessa chance.

- Investirei na educação desde o início da infância, e recrutarei um exército de novos professores, a quem pagarei salários melhores e oferecerei mais apoio. E, em troca, solicitarei deles melhores padrões de desempenho e uma prestação de contas mais rigorosa.

- E cumpriremos a nossa promessa a todos os jovens norte-americanos: se vocês assumirem o compromisso de servir as suas comunidades ou ao país, garantiremos que tenham condições de arcar com os custos de uma educação superior.

- Agora chegou, enfim, a hora de cumprir a promessa de um sistema de saúde acessível e de preço justo para cada cidadão dos Estados Unidos.

- Se vocês já dispuserem de planos de saúde, o plano que estou propondo ajudará a reduzir suas mensalidades. Se não tiverem, vocês terão a oportunidade de obter uma cobertura de saúde de qualidade equivalente àquela que os membros de nosso Congresso concedem a eles mesmos.

- E, na condição de homem que assistiu à própria mãe brigando com operadoras de planos de saúde enquanto ela estava internada, morrendo de câncer, garantirei plenamente que essas empresas deixem de praticar discriminação contra as pessoas doentes, exatamente as mais necessitadas de tratamentos de saúde.

- Chegou a hora de ajudar as famílias, oferecendo licenças médicas remuneradas e um sistema melhor de férias familiares, porque não é certo que qualquer cidadão norte-americano se veja forçado a escolher entre manter o emprego ou tomar conta de um filho ou pai adoecido.

- Agora chegou a hora de mudar nossas leis de falência e concordata, de modo que as pensões dos trabalhadores sejam protegidas acima de tudo, e não as bonificações dos executivos, e a hora de proteger o sistema de seguro social, em benefício das futuras gerações.

- E agora chegou a hora de cumprir a promessa de igualdade salarial por trabalho igual, porque desejo que minhas filhas tenham exatamente as mesmas oportunidades que os filhos de vocês.

- Sabemos, claro, que muitos desses planos custarão dinheiro, e é por isso que expliquei claramente como cada centavo de custo será coberto: eliminando as lacunas tributárias que beneficiam empresas e os paraísos fiscais que não ajudam no crescimento dos Estados Unidos.

- Mas também pretendo estudar o orçamento federal linha a linha, eliminando todos os programas que deixaram de funcionar e fazendo aqueles de que precisamos funcionar melhor e a um custo menor, porque não podemos enfrentar os desafios do século 21 com uma burocracia do século XX.

- E, meus amigos democratas, é preciso que admitamos que cumprir a promessa dos Estados Unidos requererá mais do que simplesmente dinheiro. Requererá um senso renovado de responsabilidade da parte de cada um de nós, para recobrar aquilo que o presidente John Kennedy definiu como a nossa força intelectual e moral.

- Sim, o governo precisa liderar no esforço para promover a independência energética, mas cada um de nós precisa batalhar para tornar nossas casas e nossas empresas mais eficientes.

- Sim, devemos fornecer novos caminhos e mais caminhos para que os jovens que se deixam levar a uma vida de crime e desespero possam encontrar o sucesso. Mas precisamos admitir igualmente que programas governamentais não podem tomar o lugar de famílias, que o governo não tem poder para desligar o televisor e forçar uma criança a fazer sua lição de casa, que os pais precisam assumir mais responsabilidade em termos de oferecer amor e orientação às suas crianças.

- Responsabilidade individual e responsabilidade mútua, essa é a essência da promessa norte-americana. E da mesma maneira que cumpriremos essa promessa para a próxima geração em nosso país, devemos cumprir igualmente a promessa dos Estados Unidos ao resto do mundo.

- Caso John McCain deseje realizar um debate sobre quem tem o temperamento e o senso de julgamento mais adequado para o papel de nosso próximo comandante-em-chefe, eis um debate do qual eu adoraria participar.

- Porque, enquanto o senador McCain estava concentrando suas atenções no Iraque já alguns dias depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, eu preferi me erguer em oposição à guerra, sabendo que ela nos distrairia quanto às ameaças reais que o país enfrenta.

- Quando John McCain disse que podíamos simplesmente continuar tocando a situação no Afeganistão sem muitas mudanças, eu defendi o envio de mais recursos e de mais soldados ao país para concluir a luta contra os terroristas que realmente nos atacaram em 11 de setembro, e deixei claro que, se tivermos Osama bin Laden e seus lugares-tenentes em nossa mira, devemos abatê-los sem hesitação.

- John McCain, vocês sabem, gosta de dizer que ele seguiria Bin Laden até os portões do inferno, se necessário, mas na verdade não o segue nem mesmo até a caverna onde Bin Laden vive.

- E hoje, sim, hoje, depois que meus apelos por um cronograma para a retirada de nossas tropas do Iraque foi ecoado pelo governo iraquiano e até mesmo pela administração Bush, mesmo depois de termos descoberto que o governo iraquiano registra um superávit de US$ 79 bilhões enquanto estamos afogados em déficits, John McCain continua isolado em sua teimosa recusa quanto a pôr fim a uma guerra que jamais deveria ter sido travada.

- Não é desse tipo de juízo que precisamos; isso não manterá os Estados Unidos seguros. Precisamos de um presidente capaz de enfrentar as ameaças do futuro, e não de um que continue se agarrando às idéias fracassadas do passado.

- Não se derrota, não se pode derrotar, uma rede terrorista que opera em 80 países por meio da ocupação do Iraque. Não se pode proteger Israel e dissuadir o Irã de atos agressivos simplesmente por meio de retórica belicosa em Washington. Não se pode apoiar realmente a Geórgia quanto causamos severo desgaste às nossas mais antigas alianças.

- Caso John McCain deseje seguir nos passos de George Bush, que sempre fala duro e sempre opta por más estratégias, isso é seu problema, mas não é essa a mudança de que os Estados Unidos precisam.

- Somos o partido de Roosevelt. Somos o partido de Kennedy. Por isso, não venham me dizer que os democratas não defenderão o país. Não venham me dizer que os democratas não serão capazes de nos manter em segurança. A política externa de Bush e McCain desperdiçou esse legado que gerações de norte-americanos, democratas e republicanos, batalharam por construir, e estamos aqui para restaurá-lo.

- Como comandante-em-chefe, jamais hesitarei em defender o país, mas só enviarei nossas tropas em operações militares com uma missão clara e tendo assumido o sagrado compromisso de lhes dar o equipamento de que elas precisarão em combate e os cuidados e benefícios de que necessitarão quando voltarem para casa.

- Encerrarei a guerra no Iraque de maneira responsável e concluirei os combates contra a Al-Qaeda e o Talibã no Afeganistão. Reconstruirei nossas forças armadas para que antecipem as necessidades de futuros conflitos, mas também renovarei a diplomacia dura e direta que pode impedir que o Irã obtenha armas nucleares e conter a agressão russa.

- Construirei novas parcerias para derrotar as ameaças do século XIX terrorismo e proliferação nuclear, pobreza e genocídio, alterações climáticas e doenças.

- E restaurarei nossa posição moral de modo que os Estados Unidos estejam uma vez mais possam ser a última e a melhor das esperanças daqueles que se sentem compelidos a tomar a causa da liberdade, no anseio de uma vida de paz, e daqueles que desejam um futuro melhor.

- São estas as políticas que pretendo adotar. E, nas próximas semanas, aguardo ansiosamente pela oportunidade de debatê-las com John McCain. Mas o que não farei é sugerir que o senador assume as posições que assume por motivos políticos, porque uma das coisas que precisamos mudar em nossa política é a idéia de que pessoas não podem discordar em que isso resulte em contestações ao caráter e ao patriotismo uns dos outros.

- O momento é sério demais, e há coisas demais em jogo, para que essa mesma tática das disputas partidárias do passado seja repetida. Portanto, permitam-me afirmar que o patriotismo não tem partido. Amo o meu país, como vocês amam, e como o senador John McCain ama.

- Os homens e mulheres que servem em nossas campos de batalha podem ser democratas, republicanos ou independentes, mas eles combateram juntos e sangraram juntos; muitos deles até mesmo morreram juntos em defesa da mesma orgulhosa bandeira. Eles não serviram aos Estados Unidos conservadores ou aos Estados Unidos liberais. Serviram aos Estados Unidos da América.

- Por isso, tenho uma novidade para você, John McCain: colocaremos o país em primeiro lugar.América, nosso trabalho não será fácil. Os desafios que enfrentamos requerem escolhas complicadas. E os democratas, bem como os republicanos, terão de abandonar as idéias e políticas desgastadas que herdamos do passado, porque parte daquilo que foi perdido nos últimos oito anos não pode ser medido em termos de queda de salários e de aumento dos déficits. O que também perdemos foi nosso senso de propósito comum, e é ele que precisamos restaurar.

- Podemos não concordar quanto ao aborto, mas decerto podemos concordar quanto à redução do número de gestações indesejadas em nosso país.

- A realidade da posse de armas pode ser diferente para os adeptos da caça na zona rural do Ohio e para as pessoas que estão sob o assédio da violência das gangues em Cleveland, mas não venham me dizer que é impossível defender a segunda emenda à constituição americana, que garante o direito ao porte de armas sem que para isso tenhamos de permitir a criminosos o acesso a fuzis de assalto AK-47.

- Sei que existem diferenças quanto ao casamento homossexual, mas certamente todos podemos concordar em que nossos irmãos homossexuais têm o direito de visitar a pessoa que amam em um hospital e a viver suas vidas livres de discriminação.

- A discussão quanto à imigração pode se tornar passional, vocês sabem, mas não conheço ninguém que seja beneficiado pelo fato de que uma mãe se veja separada de seu filho pequeno, ou por um empregador norte-americano que tente escapar às normas salariais do país contratando imigrantes ilegais.

- Mas isso tudo também é parte da promessa dos Estados Unidos, da promessa de uma democracia na qual podemos encontrar a força e a graça necessárias a superar as divisões que nos afastam e encontrar a união em nome de um esforço comum.

- Sei que existem muitas pessoas que descartam esse tipo de afirmação sob a rubrica de otimismo ingênuo. Alegam que a nossa insistência em algo de maior, algo de mais firme e mais honesto em nossa vida pública, representa apenas um cavalo de Tróia para impostos mais altos e para o abandono de nossos valores tradicionais.

- É de esperar que o façam, porque quando não existem idéias novas só resta recorrer à embolorada tática de assustar os eleitores.

- Caso você não tenha um histórico positivo para apresentar em sua campanha, então basta pintar o seu oponente como alguém de quem as pessoas deveriam fugir correndo. O tema central de uma grande eleição passa a ser uma sucessão de coisinhas irrelevantes.

- E, se vocês querem saber, essa tática funcionou no passado, porque se enquadra bem ao cinismo que todos sentimos com relação ao governo. Quando Washington não funciona, todas essas promessas parecem vazias. Caso as esperanças das pessoas tenham sido destruídas vezes sem conta, o melhor passa a ser deixar de esperar e aceitar aquilo que todos já conhecemos. Eu entendo. Percebo que não sou o mais provável candidato a esse posto. Não me enquadro na descrição típica, e não passei minha carreira nos salões do poder em Washington.

- Mas estou ocupando esta posição diante de vocês, na noite de hoje, porque algo está despertando nos Estados Unidos. O que as pessoas de visão negativa não compreendem é que esta eleição jamais girou em torno de mim: gira em torno de vocês.

- Gira em torno de vocês.Por longos 18 meses vocês se ergueram, um a um, e disseram "basta! - diante das políticas do passado. Vocês compreendem que, na atual eleição, o maior risco que podemos assumir é o de tentar de novo as velhas políticas, com os mesmos e velhos jogadores, na expectativa de que isso traga resultado diferente.

- Demonstramos o que a História nos ensina: que, em momentos de definição como o atual, a mudança não vem de Washington. A mudança vai a Washington.

- Mudanças acontecem - acontecem porque o povo dos Estados Unidos exige, se ergue e insiste em novas idéias e novas lideranças, uma nova política para uma nova era. América, estamos vivendo um desses momentos.

- Acredito que, por mais difícil que venha a ser, a mudança de que precisamos está a caminho, porque nós a vimos e a vivemos. Porque eu a vi no Illinois, quando oferecemos assistência a mais crianças e tiramos mais

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