07.01.2009
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Ilegais com parentes mortos no 11/9 ganham vistos

Publicado 18.08.2008

Oficiais federais concederam vistos temporários a 15 imigrantes ilegais que perderam maridos, esposas e pais no 11 de setembro, tendo permanecido praticamente invisíveis e vivendo nas sombras da sociedade por medo de deportação.

Os oficiais e defensores das famílias disseram que a decisão abriria caminho para que o Congresso aprovasse a medida legal que garantiria aos imigrantes estadia permanente no país.

"Quando contei aos meus clientes, eles choraram de alegria," disse Debra Brown Steinberg, advogada que representa vários dos imigrantes. "Agora eles podem mostrar seus rostos e dizer seus nomes."

"E também poderão contar suas histórias sobre o 11/9," ela acrescentou. "É um dia maravilhoso." Os imigrantes viviam em estado de incerteza desde os ataques em setembro de 2001. São esposas, maridos e filhos de muitas vítimas do World Trade Center, sendo alguns imigrantes legais e outros ilegais.

Enquanto as famílias recebiam do Fundo de Compensação às Vítimas indenizações que variavam entre US$875.000 a US$4,1 milhões, os imigrantes tiveram dificuldade em investir o dinheiro, pois não possuíam inscrição no Seguro Social e tinham vários outros problemas com documentos de identidade, disseram os advogados. Alguns imigrantes tinham tanto medo de serem extorquidos ou roubados, sem poder apelar para a justiça, que omitiram de alguns parentes e amigos a perda de seus entes queridos nos ataques.

A proposta apresentada no ano passado por dois membros do Congresso de Nova York, Peter T. King, um republicano, e Carolyn B. Maloney, uma democrata, concederia vistos permanentes aos imigrantes sobreviventes do ataque.

Vários republicanos no Congresso que se opuseram à medida exigiram mais informações sobre os imigrantes para garantir que eles não eram terroristas ou criminosos. Mas os advogados dos imigrantes se mostraram relutantes em fornecer informações que expusessem seus clientes à deportação.

"O Congresso quer saber dos fatos antes de garantir os vistos, e as famílias querem os vistos antes de se identificarem," Stewart Baker, secretário-assistente de políticas do Departamento de Segurança Interna disse em entrevista na sexta-feira. "Por isso ficamos num impasse."

Em abril, oficiais de imigração chegaram a um acordo com os advogados das famílias, permitindo que os imigrantes ilegais pudessem fornecer às autoridades informações biográficas e históricos de imigração sob condição de anonimato e sem o temor de deportação.

Baker disse que após revisar as informações, o departamento decidiu conceder aos imigrantes vistos temporários de um ano de permanência nos Estados Unidos, "com a expectativa de que o Congresso resolvesse a questão dentro do período." Ele disse que caso o processo congressional sofra atrasos, os vistos poderão ser estendidos.

Os advogados apelaram à Segurança Interna em nome de seus 16 clientes, mas o departamento concedeu vistos a apenas 15. O 16º imigrante, embora tivesse emprego e renda estáveis, não pagou impostos entre 1999 e 2006, disse Baker.

"Nossa visão foi a de que concederíamos vistos porque essas famílias deveriam fazer parte da história e instituições americanas e acreditamos que isso englobe o respeito às responsabilidades legais de pessoas que residem nos Estados Unidos," ele disse.

Em entrevista na sexta-feira, King disse que havia sido notificado da decisão do departamento por Baker e que ela parecia "justa." Porém, ele disse ser impossível prever como nem quando o Congresso votará a medida pendente referente aos imigrantes, e que planeja se encontrar com Maloney e outros do Congresso para discutir a questão.

Para finalizar o processo de concessão dos vistos, Baker disse, os imigrantes terão que se identificar, dando seus nomes ao governo para que os investigadores possam novamente verificar as informações pessoais que foram fornecidas sob condição de anonimato.

"A única questão pendente é saber se as histórias conferem," ele disse. Steinberg afirmou que seus clientes sairão da obscuridade e se identificarão "em breve", embora eles não estivessem preparados para vir a público na sexta-feira.

"É minha esperança, plano e sonho que, com as famílias residindo legalmente nos Estados Unidos, o Congresso resolva a questão com rapidez, aprovando a concessão dos green cards," ela disse.

Mas quando lhe perguntaram se ela antecipava algum obstáculo à aprovação da legislação que tornaria seus clientes residentes permanentes, ela hesitou. "É o Congresso e ano de eleição," ela disse, falando com cuidado. "Sempre que citamos essas duas coisas, ocorrem obstáculos."

 

Fonte: Terra

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