09.01.2009
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1 É POUCO, 2 É BOM, 3 É DEMAIS

Publicado 20.08.2007

A publicação de nota de Tales Faria, no Informe JB sobre a campanha do Banco do Brasil denominada “Decida pelo 3”, está gerando uma celeuma digna de melhor avaliação. O Banco do Brasil, por seu diretor de marketing, Paulo Rogério Caffarelli, reclamou da nota publicada no dia 13 p.p. de forma ríspida como soe acontecer com os aparelhados membros do governo, quando são flagrados em atos pouco usuais no cotidiano da nossa frágil democracia.

A conversa que circula à boca pequena, mas não somente no meio publicitário, é que o Banco do Brasil decidiu pela campanha para iniciar o projeto de mais um mandato para o presidente Lula. O diretor repeliu o debate afirmando que “trata-se de uma tese fantasiosa, insana, para não dizer, no mínimo, ridícula”, esclarecendo que a campanha “visa conscientizar a população a ter postura socialmente responsável, um convite a todos a adotar três atitudes em prol da preservação do planeta e de um país ambientalmente correto”. O objetivo seria a “divulgação da Agenda 21 (daí resulta o número: 2+1=3), aos princípios do Equador, ao Protocolo de Kyoto”.

O Banco do Brasil é uma das mais importantes instituições do país e orgulho dos brasileiros. Não está distante o tempo em que os jovens sonhavam em fazer concurso e ingressar na carreira profissional do banco. Nas cidades do interior, os funcionários da instituição eram reconhecidos como autoridades e convidados para as festividades cívicas. Os rapazes do banco eram disputados como os melhores partidos para casamento.

Com o passar dos tempos, decidiu-se transformar o Banco do Brasil num banco fundamentalmente comercial, disputando o mercado com os bancos privados. A disputa obrigou a criação de campanhas publicitárias para aumentar a clientela e garantir os lucros. A extensa rede de agências pelo interior, somente igualada pelo número de agências dos Correios, favoreceu a marca forte do BB e gerou a instalação de novas agências da rede privada acirrando a disputa pelo mercado.

Os tempos modernos exigiram a criação de novas diretorias para que pudessem diversificar as atividades bancárias da secular instituição. Daí, chegamos ao patrocínio incessante e dispendioso realizado pelo Banco do Brasil no desenvolvimento do esporte, o que orgulha os brasileiros. A distribuição de camisetas, amarelo BB, que invadem os estádios é um dos melhores exemplos da presença do banco no subconsciente da população. É uma forma agressiva de marketing que tem dado ótimo resultado nas disputas nas quais o Brasil se destaca. Nos Jogos Pan-Americanos realizados no Rio de Janeiro, dava gosto ver as arquibancadas com a cor dos nossos uniformes vibrando com as vitórias dos nossos atletas. Ninguém deixa de reconhecer a força que o Banco do Brasil, com seus 45.113 pontos de atendimento, dá ao esporte.

Agora, com a pretensão de incentivar aos brasileiros 3 atitudes de proteção ao meio-ambiente, vem a instituição colocar na vida do povo a proposta de que devemos nos decidir pelo 3, numa postura socialmente responsável. E que três é este? É o 3 de 13? É o 3 de mais um mandato para o presidente Lula? A soma de 2+1= 3 refere-se aos dois mandatos do presidente, acrescido de mais um, seguindo o mesmo roteiro do ditador travestido de democrata, companheiro Cháves? Ou não é nada disso, sendo somente uma campanha como as dezenas que chegam às ruas para influenciar compras de produtos, renovar conceitos, incentivar atitudes ou trocar de cerveja. Pode ser que sim, pode ser que não. Pode descer redondo ou pode provocar desconfianças de mentes oposicionistas. Não custa nada debater a questão. Ou não devemos examinar as finalidades de campanhas que são pagas com recursos oriundos do sacrificado contribuinte?

A campanha chegou somente com a frase “Decida pelo 3”. Sem explicação, mas comum no meio publicitário tendo a finalidade de deixar o alvo com a curiosidade sobre o que significará o anúncio. Depois evoluiu para a explicação da proteção do meio-ambiente e, agora, para a celeuma.

A Agenda 21, que é o objeto da campanha, deve ser adotada por todos os meios de comunicação, e o Brasil é um dos principais patrocinadores da defesa do meio-ambiente, apesar de sermos, também, um dos países que menos protege suas riquezas naturais. A devastação das florestas, a proliferação de favelas pelo interior do país, que é um dos maiores problemas que nos afetam e os governos deixando a situação se tornar caótica para, então, formular programas para a erradicação. Neste caminho, o tema da insegurança pública poderá ser o tema da próxima campanha proposta pela gigante Petrobrás: “Decida pelo 38”.

O mau humor que impera nas hostes governamentais está se estendendo para as empresas públicas e acabará transformando uma simples campanha publicitária numa guerra de nervos que exporá, com desvantagens, as mazelas que envolvem a administração repleta de companheiros despreparados para o exercício da democracia. A tese que gera a celeuma não é fantasiosa, insana ou ridícula; é somente uma tese que, em se tratando de dinheiro público, pode e deve ser debatida pela sociedade.

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