Os tumultos que se desenrolam na América Latina é o retrato do atraso que foi reinstalado nos países que nos cercam e que, aparentemente, haviam conseguido se livrar dos governantes arbitrários ou corruptos que, durante anos, imperavam em nossas paragens.
A imagem de presidentes e ditadores levados às barras dos tribunais, juntamente com seus cúmplices condenados à prisão ou a viverem como foragidos prisioneiros de si próprios, parecia que não se repetiria; no entanto, a revolta da população contra seus eleitos democraticamente está sendo barrada com a força das armas.
Inicialmente os novos ditadores criaram meios legítimos para afogar a oposição que, despreparada, bateu em retirada deixando o poder livre para, com seus companheiros, eliminar os direitos dos cidadãos por intermédio de legislações fundadas nos princípios nazi-fascistas que nos levaram à segunda guerra-mundial. As lições recentes foram apagadas da memória do povo pela falta de informação, de educação e de cidadania que foi disfarçadamente incutida nas novas gerações. Os jovens são cooptados pelo emprego fácil e descompromissado, servindo somente para solapar o futuro. Nesses governos de mentiras e falcatruas, os postos de trabalho nos serviços públicos são destinados aos acólitos ou coniventes com o roubo e a desfaçatez. A corrupção grassa por todos os lados, e os neo-ditadores se homiziam nos comícios das classes menos esclarecidas e favorecidas. Essa massa popular, enganada, aceita as migalhas que lhes são destinadas em troca do apoio que inibe reações com a prática da difusão do medo e do terror.
Tudo está dentro da lei feita nos bastidores do poder , e não há Poder Judiciário que possa impedir a força dos ditadores. Juízes independentes são humilhados, expulsos de seus tribunais e aposentados com ínfimos rendimentos. A reação da Justiça tem sido demorada, provocando a insegurança jurídica e desiludindo as nações. A oposição é dizimada e só restam os discursos inflamados, incitando o povo a se revoltar contra os que não se submetem à força.
Imaginávamos que nunca mais teríamos o império da tortura; no entanto, a cada dia, nos acostumamos a ver nossos vizinhos sofrendo repressão violenta contra as manifestações populares. A acomodação dos sentimentos do povo e o encantamento que os governantes provocam em seus cidadãos reacendem os temores de que a democracia está, novamente, morrendo. Morte disfarçada de vida. As promessas de novos tempos e de novas condutas animaram os eleitores que não perceberam que, das mãos manchadas pela corrupção, sairiam as mãos manchadas de sangue como já vem ocorrendo nas vizinhanças.
Por aqui, felizmente ou não, o poder está na mão dos que, em outros tempos, estavam nas ruas chutando funcionários públicos, destruindo o patrimônio público, incitando mártires a enfrentar as forças policiais. Assumiram o poder pela força da democracia e dos votos. São legitimamente nossos governantes.
Nada fizeram além de tocar o barco em direção ao poder absoluto. Esqueceram as promessas, trocaram os macacões pelos ternos de grife e vivem acusando a oposição de serem invejosos com relação às suas ações. Redescobrem poços de petróleo, renovam tributos, riem, fazem gestos obscenos, nomeiam incompetentes para cargos públicos, e excluem os capacitados das funções estratégicas. É tudo tempo bom, e o futuro, dizem, será melhor.
Esperemos que as ameaças que nos circundam não ultrapassem nossas fronteiras e que os vizinhos enlouquecidos não decidam provocar conflitos para fortalecer suas posições internas. A América Latina já sofreu muito com as ditaduras e com a guerra que atingiu a Argentina. Hoje, engatinhamos em direção a tempos de tristeza e desavenças com a conduta de Evo Morales e Hugo Cháves. A nossa sorte é que o velho trabalhador é nosso dirigente e pode controlar seus súditos acomodando os extremistas em empresas públicas ou ONGs que servem para abrandar os instintos mais selvagens.
Comentários
1 comentários nesta página. Adicione seu comentário abaixo.
Nossa, que legal, agora sim, há coisas coisas realmente boas e inteligentes pra ler aqui. Parabéns
Adicionar Comentário
Por favor seja educado(a).