09.01.2009
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De mão beijada e na calada da noite

Publicado 12.07.2006

Como em uma grande família, começou a disputa eleitoral no Distrito Federal. De um lado da mesa, posicionaram-se os filhos do primeiro casamento; do outro, os do segundo casamento. No meio deles, os filhos dos filhos, como se fossem personagens de novela; amando e odiando, mas mantendo a casa em harmonia, ao menos enquanto durar a primeira parte da cena simbolizada pelo primeiro turno das eleições.

Na cabeceira da mesa, está o todo-poderoso candidato e eleitor Joaquim Roriz. O ex-governador já comandou mesa igual na candidatura de Valmir Campelo. Naquela época, muitos dos filhotes estavam em outras paragens, articulando derrubar do poder o goiano que aqui chegara para dominar a política com seus amigos. Ninguém conseguiu o intento e, todos, mesmo os mais agressivos opositores, se curvaram às evidências e buscaram aconchego nos braços de Roriz.

A decisão do PFL em lançar chapa pura, com o deputado José Roberto Arruda tendo como vice o senador Paulo Octávio, fez com que Roriz, em vez de abençoar a candidatura de Arruda, seu escolhido há anos, se aborrecesse com a petulância do pupilo e enveredasse na construção de uma fortíssima união para ver se consegue derrotar o candidato que se moldou à sua imagem e semelhança.

Roriz percebeu que Arruda adquiriu, ao longo dos muitos mandatos de ambos, a habilidade e a disposição de buscar votos onde eles estiverem, não importando se são de opositores; neste caso, melhor ainda, pois é nessa face da moeda que os dois se destacam. Envolventes e com malícia, Roriz e Arruda formam a dupla que o ex-governador procurou para jogar, até morrer, o jogo da política. Infelizmente, por circunstâncias ainda não explicadas, no primeiro turno, Roriz não poderá ficar ao lado do filho prodígio; o que não impede Arruda estar firme na campanha para o Senado que aponta Roriz como favorito.

No primeiro dia de campanha, Arruda embrenhou-se na madrugada para, com olhos de coruja, constatar os piores momentos da vida de uma cidade. A providência, apesar de parecer inovadora, também foi aprendida com Roriz. Na campanha de 1998, Roriz prometeu implantar o Programa Segurança sem Tolerância, peça de marketing que seria o carro-chefe da política de governo e foi na "calada da noite" que se colheu as necessidades do povo e transformou-se o marketing em ação política. Naquela época, policiais de Nova York, acompanhados de Mozart Baldez, conheceram os bastidores da criminalidade ainda incipiente no Distrito Federal. Foi na "calada da noite" que Roriz, auto-intitulado de governador e secretário de Segurança, constatou que era possível estancar o crescimento da violência e da criminalidade.

Roriz, eleito, criou os programas sociais hoje reconhecidos nacionalmente, Esporte à Meia-Noite e Picasso não Pichava, que retiraram das madrugadas milhares de jovens expostos à sanha dos criminosos e cooptados para o crime.

Arruda, agora, faz o mesmo para garantir aos que sofrem nas paradas de ônibus a segurança e a confiança nos governantes. Arruda saiu para as ruas no momento mais crítico da vida de uma cidade: "Na calada da noite".

Já Abadia e seu vice Maurício, à luz do sol, acreditando serem os escolhidos de Roriz, desdobram-se para ficar em cena, mesmo que seja beijando, com reverência e de olhos fechados, as mãos de Alckmin. Este papel não condiz com a vida pública de Abadia, repleta de vitórias e serviços prestados. Não será com atitudes de submissão a Roriz, ou a qualquer outro candidato que a governadora se firmará como a melhor para Brasília; não será com o slogan "Me chamo Abadia e trabalho de noite e de dia" que comoverá Roriz e derrubará a preferência do eleitorado por Arruda. Nesse momento, não se pode vacilar e ficar criando frases de impacto. Só o marketing não bastará. É preciso fazer como Roriz e Arruda: sair às ruas, de noite e de dia e pedir votos. Ou, então, encontrar gente, com espírito público, que se sacrifique em seu nome.

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Somos atores na peça criada por Deus, chamada vida. E todo mundo, pelo menos uma vez, erra em cena. Então é só saber levantar, pelo menos rindo; e o público nem perceberá. Afinal, o riso tem o dom da conquista, e o sorriso tem o dom de cativar sentimentos mais nobres, ou pelo menos exaltá-los, esfuziá-los aos próximos, carentes, como todos, de amor."

— Dr.Arnaldo Xavier Jr.

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