Surgiram entraves de todos os lados. Entendidos em futebol afirmavam que e legislação da FIFA não permite o confronto entre times de homens e mulheres.
Nas ruas e nos bares, abstêmios a discussão ficou mais próxima da realidade. Os antigos notívagos, acostumados a ver de tudo nas madrugadas, foram os primeiros defensores da peleja. Moacir, neto desconhecido de um antigo craque da seleção de 1958, foi o maior incentivador e fez sua declaração pública de apoio, afirmando que vivia há mais de 20 anos com Doralice, que era uma marcadora mais rigorosa do qualquer craque da seleção. – Quando eu chegava em casa alcoolizado e me considerando o sujeito mais forte do mundo, era ela que barrava a minha entrada como se fosse a Tânia Maranhão. Ou eu cedia e dormia na sala – que ela chamava de meio-de-campo –, ou teria que ficar na soleira da porta; apelidada de última barreira. Doralice joga um bolão.
Valtencir, ex-jogador do Gama FC, ponderou que não seria possível uma partida dessas: – Futebol é coisa prá homem. A maioria dos presentes caiu na gargalhada. Ele entendeu que não deveria ser tão rigoroso e se calou.
A idéia se espalhou pela cidade, e o vice-governador, responsável pelo desenvolvimento e turismo, percebeu que o assunto era bom. Chamou a equipe e determinou que providenciassem estudo urgente sobre o grande jogo. Queria análise dos entraves, das pessoas que deveriam ser contatadas, e, acima de tudo, a divulgação do evento.
Quando a proposta surgiu na mídia, já estava tudo preparado. João Havelange, em Pequim, entregando as medalhas para as meninas do Brasil, fez declaração apoiando a partida e incentivando a imprensa a promover o primeiro jogo misto oficial da história do futebol.
No outro pódio, os meninos do Brasil recebiam suas medalhas, e Ronaldinho Gaúcho, artilheiro, magro e novamente bonito, falou em nome dos campeões olímpicos: – Até aqui foi fácil a nossa vida. Íamos, debaixo de pancada, rompendo as defesas adversárias. Tivemos sucesso. Duro mesmo vai ser enfrentar a equipe campeã olímpica feminina no Mané Garrincha em Brasília. A imprensa mundial repercutiu o assunto de maneira espetacular. Em vez do Bush, quem garantiu a presença dando o ponta-pé inicial do lado masculino foi o Barack Obama, e do lado feminino a Carla Bruni, que se comprometeu vestir uniforme transparente Dior e chuteira Loubutin. Até o Putin apoiou o jogo, afirmando que, se não estivesse atacando a Geórgia, também compareceria e ainda traria, de quebra, o Kassab de lá.
O jogo foi marcado para o dia seguinte à chegada dos campeões ao Brasil. Lula, vestido com sua camisa nº 1315, recebeu os atletas no Palácio do Planalto, e, de lá, em carro aberto, seguiu para o estádio. Deu tudo certo.
Mané Garrincha, de portões abertos, lotado. A multidão gritava o nome dos seus jogadores preferidos. Fogos explodiam, e o hino nacional foi executado. Os convidados fizeram a sua parte. Barack tocou a bola para Carla Bruni que deu um chutão, perdendo a valiosa chuteira de sola vermelha, que caiu no colo de Doralice, a mulher do Moacir.
O árbitro apitou. Renata Costa tocou para Maicon que repassou para Daniela Alves. A bola rolou suave. Lucas, Hernandes e Diego ficaram olhando a desenvoltura da menina. Num leve toque a bola estava nos pés de Cristiane. De calcanhar, e no meio das pernas de Rafinha, a bola chegou até Marta. A craque esperou Alex Silva; dobrou as pernas caindo para o lado e encheu o pé. Oito segundos de jogo. Renan, que ainda estava admirando os toques das adversárias, só ouviu o grito da galera: Goooooooool!!!!
Os meninos deram a saída. Diego tocou para Ronaldinho que olhou Pato em desabalada carreira já quase da grande área. Lançou longo a redonda. Pato matou no peito, escorreu a pelota no corpo e, na hora da arrancada, foi espremido por Erica e Simone Jatobá. – Ô Seu juiz, assim não dá. Choramingou, prevendo a humilhante derrota.
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