09.01.2009
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O que Oscar pode ensinar a Chávez

Publicado 24.01.2007

O presidente venezuelano Hugo Chávez está com a corda toda e não será impossível sua participação numa ala de escola de samba. Basta que o presidente coloque a mão no bolso que o lugar de destaque lhe seja reservado. Chávez já contribuiu em outro Carnaval patrocinando a Escola de Samba Vila Izabel. O pretenso sucessor de Bolívar e Fidel não precisará nem de fantasia para sair na avenida, basta que se apresente com suas vestimentas que caracterizaram durante anos os muitos ditadores que dominaram a América do Sul.

 

As atitudes retrógradas embrulhadas em papel de presente para impressionar o povo venezuelano, que vive na miséria e se rende aos programas populistas e assistenciais, não irão libertá-los, ao contrário, os submeterão ao jugo do ditador.

 

Chávez é como seu companheiro de televisão, o outro Chaves, amigo do Kiko, que se perpetuou nas telas e diverte milhões de pessoas com suas tiradas cômicas. O venezuelano é também caricato, mas quer se perpetuar no poder com métodos conhecidos pelos países que, tal qual a Venezuela, sofreram nas mãos de golpistas que tomavam o poder à força das armas, subjugando o povo e calando vozes de protesto. Agora os tempos são outros, e o dissimulado político grita seus discursos tentando calar a oposição. Reeleito, o presidente cassa concessões de televisões, quebra compromissos internacionais, ameaça e passeia pelo mundo pregando a discórdia.

 

A participação de Chávez na reunião do Mercosul foi marcada por factóides, inclusive intrometendo-se em questões entre a Bolívia e a Colômbia. A repreensão que Chávez fez ao presidente Álvaro Uribe foi inusitada e prontamente rebatida. Chávez já se considera o sucessor de Fidel Castro como o grande líbertador da América do Sul. A comparação com o comandante de Sierra Maestra é uma piada histórica, haja vista que a luta de Fidel e seus companheiros foi realmente revolucionária e com riscos da própria vida para a libertação dos cubanos. Fidel, hoje agonizante, junto com Che Guevara, transformou os ideais de liberdade que moveram os sentimentos de milhões de jovens idealistas. A luta não tirou os cubanos da miséria, mas deu-lhes dignidade. Chávez, com suas alegóricas políticas e discursos vazios, só deseja o poder. Fidel buscava a independência de seu povo e só deixou de ser um democrata por não ter meios de sobreviver ao rigoroso bloqueio econômico a que seu país foi submetido pelos Estados Unidos. Sem solução, Fidel trocou de imperialista.

 

O Rio de Janeiro, cercado de boinas vermelhas da Força Nacional de Segurança Pública, deve ter animado o ditador que também costuma se caracterizar com boina quando se porta como militar. Seguindo os passos de Fidel, Chávez, que não teve a coragem de correr nas calçadas de Copacabana com Evo Morales, conseguiu uma audiência com o professor Oscar Niemeyer em sua residência na Rua Prudente de Morais. Desde cedo, os moradores da rua tiveram suas vidas afetadas pela visita. Era um tal de seguranças de um lado para o outro, até a interdição total da via pública. Vários seguranças disfarçados de seguranças - coisas do Chaves - ocuparam as entradas dos prédios e se aboletaram em poltronas para esperar o chefe que só apareceu com noite alta. Das janelas dos apartamentos, simpatizantes e antipatizantes se enfrentaram usando a mesma forma de Chávez; aos gritos. Uns gritavam palavras de apoio contra imperialistas; outros, cariocas e gozadores o chamavam de maricón, pedindo a liberação da rua. Na saída, os repórteres não conseguiram falar com o presidente, mas ficou evidente que o professor Oscar não se impressionou com o novo Bolívar, pois não houve comentários sobre o que conversaram. Chávez voltará para tentar conhecer os segredos de quem vive cem anos mantendo suas convicções políticas e influindo para o bem das pessoas sem nunca ter exercido o poder. Se Chávez aprender com Oscar, é possível que deixe de lado a vaidade, a arrogância, a gaiatice e faça da Venezuela um país democrático, justo e livre.

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