A dupla de governadores eleita em Brasília, Arruda e PO, tem feito uma mídia presidencial. Arruda entregou a PO a transição, esperando que o senador se queimasse durante as reuniões e desistisse de renunciar à senatoria, dessa forma, manteria o cargo no âmbito nacional vislumbrando, talvez, outra chance em 2010.
Paulo Octávio gostou de administrar as tensões, fortaleceu-se no poder distrital e fincou sua base para dividir o comando de Brasília com o governador eleito.
Habilidoso, Arruda sumiu pelos caminhos do mundo em busca de recursos nos bancos mundiais e foi rever os veículos leves sobre trilhos que circulam nas capitais civilizadas. Arruda estudou em Barcelona e adora caminhar por suas ruas limpas e animadas.
Barcelona, hoje, é o sonho de vida das pessoas bem informadas. Mas, não é somente a cidade espanhola que pode nos servir de exemplo para a manutenção da qualidade de vida que os governadores eleitos nos prometem, também Paris, Nova York e Londres povoam o imaginário do brasiliense. Porém, aqui mesmo no Brasil, algumas cidades podem servir de exemplo para que, Brasília, que possui o melhor índice de qualidade de vida, se mantenha na liderança nacional sem fazer muito esforço. Com o pensamento de consolidar Brasília como patrimônio da humanidade é que Arruda e PO estão buscando a experiência de técnicos de outros estados para melhorar o Distrito Federal.
A primeira medida foi a indicação de Luiz Tacca para a Secretaria de Fazenda. Tacca será o fiel depositário da chave do cofre do governo do Distrito Federal e poderá, afastando os inimigos, controlar os gastos que nos mantém, há anos, na dependência do Governo Federal. Os brasilienses não contestaram a escolha. Ponto para Arruda.
O governador, animado com a aprovação, foi buscar a orientação de Cássio Taniguchi, eleito deputado federal pelo Paraná, para auxiliá-lo no planejamento urbano. Cássio foi prefeito de Curitiba e, seguindo os passos Jaime Lerner, transformou a capital paranaense num exemplo de eficiência. O deputado poderá nos ajudar, apesar de não conhecer as especificidades da capital federal. Existem candangos de cara virada para a experiência e, alguns, já consideram que a medida irá desagradar aos eleitores, como aconteceu com o ex-governador Cristovam Buarque, que encheu seu governo de estrangeiros e deu com os burros n'água. Arruda e Paulo Octávio são os primeiros políticos brasilienses a governar o Distrito Federal e não devem agir com precipitação na escolha dos seus auxiliares e nem virar as costas para o Plano Piloto.
Ninguém reclama de serem ouvidos técnicos de todo os quadrantes do mundo para tornar cidade melhor; o que se discute são os compromissos assumidos pela dupla para ganhar as eleições em primeiro turno e se livrar da influência do grupo que dominou a cidade com métodos reprovados pelas urnas.
O primeiro passo de Arruda na transferência física do poder para Taguatinga significa que o governador quer a independência das cidades-satélites, modificando a Constituição Federal e permitindo que os eleitores elejam seus representantes. Esta medida irá garantir a preservação do Plano Piloto como área tombada, retornando a capital à sua verdadeira vocação de cidade turística e administrativa. As cidades-satélites, transformadas em municípios do Distrito Federal, continuariam recebendo recursos federais, com sua cidadania assegurada. Nesses caminhos, Arruda se firmaria como administrador eficiente e abre caminhos para a vaga de candidato do PFL à presidência da República em 2010, deixando para PO a área política do GDF, que funcionaria no Palácio do Buriti.
O governador eleito, animado em morar perto do trabalho, como fazem os europeus, só precisa apurar seus sentidos, ao ceder parte do poder em nome da coalização, para que não aconteça o que o arquiteto Carlos Magalhães vem perguntando: "Afinal, qual é o cargo que o Arruda vai exercer no governo do Paulo Octávio?".
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