20.11.2008

A Espada de Dâmocles

Publicado 23.05.2006

O poderoso Rei de Siracusa, a mais rica cidade da Sicilia, Dionísio (432-367 a.C), vivia num luxuoso palácio rodeado por guardas e empregados prontos à atender a todas as suas ordens e satisfazer todos os seus desejos. Ele comandava o império com poderes absolutos. Sua palavra era lei – uma ordem a ser cumprida sem questionamento.Acontece que, um de seus melhores amigos, Dâmocles, vivia afirmando que ele, como tinha o destino do povo em suas mãos,era o homem mais feliz da terra.Cansado de tanto ouvir a mesma conversa, desafiou o seu súdito à vivenciar,por um único dia,todas as regalias de um reinado invejável.

Aceita a proposta, Dâmocles, colocou as vestes reais,recebeu o cetro e a coroa de ouro e foi apresentado à todos como o novo monarca.Para consolidar a sua autoridade o novo rei ordenou a preparação de um grande banquete, com a presença dos mais ilustres convidados. Assim foi feito.Durante a belíssima festa Dâmocles foi saborear o vinho da mais antiga safra existente na adega,levou o copo aos lábios,inclinou a cabeça para trás e, como se tivesse visto um fantasma,empalideceu.Ele viu uma brilhante e pontiaguda espada direcionada para a sua testa, segura apenas por um fio de crina de cavalo.Ninguém poderia vê-la,somente quem estivesse sentado no trono real. Enquanto ele tremia de medo,o verdadeiro rei gargalhava a sua frente.Como sobre um mesmo fato as pessoas podem ter percepções completamente diferentes entendemos que, em vários aspectos, a humanidade caminha sob a “espada de Dâmocles”.

Apesar das descobertas científicas e das inovações tecnológicas das últimas décadas, a sociedade continua a negar qualidade de vida à maior parte da população mundial. Causa? Ineficiência de políticas públicas que assegurem educação e saúde de excelente qualidade à população. Responsáveis? Parte da classe política que usa o cargo apenas em benefício próprio. Efeitos? A perversa desigualdade de distribuição de renda, geradora da pobreza que,segundo Mahatma Gandhi (1869-1948), é a mais cruel das violências.A discriminação,o preconceito e o desrespeito aos mais elementares princípios de cidadania, são ainda uma vergonhosa evidência no nosso cotidiano.

A avanço da informalidade no mundo dos negócios, fonte do maior império do planeta – o Quarto Setor – algo em torno de 13 trilhões de dólares. A crescente violência mundial. A falta de isonomia salarial entre homens e mulheres, quando na mesma função. Agressão ambiental. O desencanto de cerca de 500 milhões de desempregados no mundo. A corrupção e o tráfico de drogas.Acentuado descompasso entre o desenvolvimento econômico e a geração de condições mínimas e dignas à população. A nossa postura democrática nas reações, mas autocrática nas ações.A insistência de conquistar a paz fazendo guerras. O equivoco cometido pelo homem ao distanciar-se de Deus.

Há soluções para esses problemas? Sim. Elas dependem de ações compartilhadas entre os poderes constituídos, a classe empresarial,ONGs e a responsabilidade de cada um de nós. Estruturação familiar e relacionamento interpessoal respeitoso.Planejamento educacional que ofereça oportunidades (iguais) para que o ser humano possa relevar e desenvolver competências técnicas e habilidades ecléticas. Conduta ética de cada um de nós. Preservar a capacidade de nos indignar, e agir, diante das injustiças sociais.No campo da espiritualidade a solução está na vivência dos dois mandamentos mais importantes contidos nos Livros Sagrados – amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo.

Quanto ao mundo dos negócios a tendência é que, no futuro, existam apenas dois tipos de organizações, independentemente de porte e segmento, “aquelas que se apaixonaram em se reinventarem, e aquelas que estarão agonizando agarradas as suas ultrapassadas certezas”.

Comentários

5 comentários nesta página. Adicione seu comentário abaixo.

Luzia Neide Coriolano
01.02.2008 19:22 [ 1 ]

excelente. Adorei.

ivone
02.03.2008 11:54 [ 2 ]

todos nós vivemos entre espadas visíveis e invisíveis

Al
30.04.2008 13:13 [ 3 ]

Não há crase na expressão "prontos à atender" na segunda linha do texto.

SERGIO
30.04.2008 17:00 [ 4 ]

A "espada" que poderemos enfrentar na cidade de SP,a partir de agora, é voltar a se falar do passado e este tem um nome: Quércia. Será que caminharemos para o passado ou teremos coragem para enfrentar o futuro ? E este também tem um nome: é aquele apoiado pelo governo Lula. Ou será que voltaremos a Inflacao, confusao financeira, e etc. que os "mestres da economia" já nos meteraam no passado ? O Serra já disse que quer modificar a economia, que o plano atual está errado, etc. Que os deuses nos livrem deste "genio"...

WALTER RIEVRS
16.07.2008 17:22 [ 5 ]

É BEM IDIOSSINCRÁSICO ESSE SENTIMENTO. ASSUMIR O LUGAR DO OUTRO, NA SUA DIFICULADE OU NA SUA EXUBERÂNCIA OPULENTA, ALGO QUE NOS REMETE A AUTOCATARSE, DEMANDA UMA PURIFICAÇÃO DO NOSSO ESPÍRITO. É BEM UTÓPICO O ATINGIMENTO DESSA SUPERAÇÃO, OU NÃO!!!

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