Quando o sol rompe no horizonte africano e começa a clarear a sua imensa savana, dois animais, a gazela e o leăo, tęm os seus instintos despertados para as tręs principais tarefas de suas vidas – correr, correr e correr. A gazela, para năo ser devorada pelo leăo, e este, para saciar a sua fome.Esta é a lei que a natureza destinou ŕ sobrevivęncia das espécies. Embora seja possível fazer uma analogia entre esse cenário e o mundo dos negócios, preferimos destacar a importância das parcerias estratégicas empresarias,que podem fazer parte do conceito da “teoria da extensăo”, desenvolvido pelo sociólogo canadense Herbert Marshalll McLuan (1911-1980).
Desta nossa linha de pensamento um dos modelos exemplares encontra-se na indústria automotiva, onde as gigantescas montadoras dependem da competęncia de um sem número de fabricantes de autopeças. Além deste segmento,vários outros oferecem espaços para que as empresas de menor porte peguem carona na exportaçăo de produtos,contribuindo para a elevaçăo do superávit da balança comercial. As certificaçőes de normas técnicas fazem parte da garantia da qualidade.
No comércio esse fenômeno também se faz presente, principalmente nos sedutores shopping centers, onde as lojas âncoras e os pequenos negócios se beneficiam, reciprocamente, da praticidade oferecida ŕ massa consumidora que busca produtos, entretenimento e serviços diversos. A mudança estrutural da economia provocada pela globalizaçăo,terceirizaçăo e pela escalada das demissőes, nas grandes corporaçőes, fez com que técnicos e executivos altamente qualificados migrassem para negócios menores. Estes fatores disponibilizaram mâo-de-obra, ou melhor, “cabeças-de-obra” que chegaram para agregar valor ao desenvolvimento organizacional de empresas de menor porte.
A esmagadora predominância numérica das pequenas empresas se constitui numa cristalina fonte de geraçăo de empregos, hoje, prioridade emergencial zero. Os estabelecimentos de rua, pioneiros na comercializaçăo e prestaçăo de serviços,é uma “invençăo” milenar que terá, sempre, o seu espaço no mundo dos negócios,desde que monitorados por periódicas pesquisas de tendęncia do mercado. A mundialmente famosa regiăo da 25 de março, em Săo Paulo, é um modelo exemplar da pujança das lojas de rua.O sucesso de um empreendimento năo está no seu porte, mas na competęncia gerencial de suas lideranças em atender as necessidades e hábitos dos clientes, e na audácia inovadora de superar as suas expectativas.
A Internet, as entidades especializadas, a imprensa em geral e uma gama enorme de eventos desenvolvidos pelo mundo todo, tęm demostrado como explorar oportunidades de negócios lucrativos,contribuindo para reduzir o índice de mortalidade empresarial,que ainda é elevado nesse universo. Como diferencial de mercado as micros e pequenas empresas, e os profissionais liberais, oferecem atendimento personalizado, agilidade para responder as mudanças conjunturais, facilidade de visăo sistęmica ŕ todos os funcionários, procedimentos desburocratizados, além do imbatível e indispensável calor humano. A participaçăo em consórcios de exportaçăo, a formaçăo de cooperativas, as associaçőes de artesăos,o aumento do número de incubadoras industriais, a receptividade dos supermercadistas para produtos sem tradiçăo no mercado e a ativa participaçăo em entidades de classe, săo algumas das formas que devem incrementar esse grande negócio que se chama pequenas empresas.
O novo formato organizacional da empresa competitiva sinaliza que aquela que năo for receptiva ŕs mudanças estruturais, e năo investir em excelęncia continuada da gestăo,estará ampliando a sua vulnerabilidade,pois, “quando a diretoria pensa que sabe todas as respostas,vem o mercado e muda todas as perguntas”.
* Faustino Vicente - Consultor de Empresas e de Órgăos Públicos
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